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Cemitério

Cemitério Velho de Mirandela
imagemEm Mirandela faziam-se os enterramentos como, aliás, em todo o reino, dentro dos templos, por vezes mesmo nos adros, quer no chão, quer em carneiros. O enterrar os mortos dentro dos templos era olhado pelos fiéis como um dever de religião, que assim punha os restos mortais dos crentes sob a protecção da casa de Deus.

Já no 2.º concílio bracarense, convocado em 563, se proibiu expressamente que adentro das igrejas se sepultassem cadáveres, mandando que isso se fizesse em volta das suas paredes exteriores; porém, tal proibição não venceu o uso, ou antes, o abuso, inveterado.

Em Mirandela, pois, faziam-se os enterramentos na igreja paroquial e na igreja da Misericórdia, sendo esta reservada para os irmãos da Santa Casa. Também, por vezes, se faziam enterramentos em capelas particulares, como na capela de S. José, do morgado dos Sequeiras; na capela de Santo António, do Morgado Morais Sarmento; etc. E, afora estas, também as capelas das povoações anexas, como Freixedinha, Bronceda, e Vale de Madeiro, serviam em certos casos para inumações.

Os alvarás de 27 de Março de 1805 e de 18 de Outubro de 1806, que ordenaram a construção de cemitérios públicos, a fim de pôr termo ao enterramento nas igrejas, ficaram de todo letra morta; só em 1835, pelo decreto de 21 de Setembro, é que se legalizou e iniciou a criação dos cemitérios públicos, proibindo terminantemente, a bem da higiene, as inumações nos templos.

Aqueles alvarás, mencionados pelo citado decreto, exigiam que o cemitério ficasse pelo menos a 143m (200 passos) de distância das mais próximas habitações, e isto em razão de ser considerado o cemitério como estabelecimento insalubre de primeira ordem, opinião já hoje modificada.

Em sessão de câmara de 20 de Setembro de 1834, foi, nesta vila, presente um ofício do subprefeito da comarca instando para que a Câmara e o Pároco, de comum acordo, tratassem, com a possível brevidade, de estabelecer um cemitério.

Na sessão de 14 de Março de 1836, resolveu a Câmara Municipal que o cemitério seria construído para além da capela de S. Sebastião, entre os dois caminhos de Vila Nova e Carvalhais. A escolha de tão distante local provocou reparos de muita gente, e uma reclamação foi pouco depois apresentada à Câmara em nome do clero e habitantes da vila pedindo que se reconsiderasse acerca da localização do futuro cemitério.

Assentou-se depois, ouvido o parecer do médico Manuel Inácio Salazar, que ele fosse construído no sítio denominado S. João, perto do monto onde existia uma corriça. Foi encarregado do risco e direcção da obra Manuel Joaquim Correia Botelho.

Esfriou o zelo e pôs-se pedra sobre o assunto, continuando a fazerem-se os enterramentos nos templos, como até ali. Mas, em 1865, grassando a cólera no país, e sendo urgente providenciar para o caso provável de um extraordinário número de óbitos, voltou a pensar-se na escolha de um local apropriado, sendo definitivamente escolhido o Outeiro, pequeno monte no sul da vila e contíguo a ela, sítio amplo, arejado e em condições, visto os ventos dominantes soprarem de norte e nordeste.

As instruções do Conselho de Saúde Pública promulgadas em 1863 exigiam que a superfície fosse suficiente para um número de sepulturas igual a cinco vezes o número anual de óbitos da freguesia, além do espaço suficiente para ruas, jazigos, acréscimo de população, e superveniência de alguma epidemia.

Posta a lanços em 1866 a primeira parte da construção, e não tendo comparecido concorrente algum, resolveu a câmara mandar, por sua conta, proceder ao arranque e corte de pedra, alvenaria e cantaria, para os muros da vedação. As obras foram-se arrastando durante alguns anos, até que, no dia 6 de Novembro de 1872, estando terminadas as obras do cemitério, se procedeu à bênção solene, que foi executada pelo reitor da freguesia, António Gomes Casimiro.

A entrada do cemitério está voltada ao poente, e consta de um portal de cantaria com grades de ferro, onde se lê em letras de ferro também: Última morada.

Desde que foi benzido, o que teve lugar fazendo-se primeiramente a transladação processional dos ossos retirados da igreja, passaram a efectuar-se lá todos os enterramentos da freguesia. Depois, com o andar dos tempos, alguns jazigos se construíram por iniciativa de particulares; muitas árvores têm sido plantadas dos muros adentro, tornando-se mais digno de visitar-se.

Como o monte é formado de rocha xistosa, em partes muito rija, só com muito e persistente trabalho se tem conseguido a escassa arborização que tem.

Ao centro do cemitério ergue-se uma grande cruz de granito, que fazia parte da antiga via-sacra, outrora existente desde a margem do rio até à capela de N. Senhora da Conceição da Quinta da Rocha. Aos pés desta cruz há uma campa sob a qual jaz sepultado o reitor que benzeu o cemitério.

Passadas umas dezenas de anos sobre a inauguração do cemitério, começou a reconhecer-se que a sua área era insuficiente em vista do aumento da população; assim, a câmara resolveu proceder à sua ampliação alargando-o para a parte do nascente, obra que se realizou na primeira década do século XX.

Actualmente toda a encosta do Outeiro virada a poente, e pela qual se sobe para o cemitério, se acha plantada de arvoredo já crescido, cedros, na sua maioria. Esta arborização iniciou-se no tempo em que era vice-presidente da Câmara o benemérito Albino Luís Mendo.

Em 1909, sendo presidente da câmara José António da Rocha Sousa, foi elaborado um regulamento do cemitério.

Fonte: Mirandela - Apontamentos Históricos» de Padre Ernesto de Sales

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