Quinta, 9 de Setembro de 2010

Comunicação Social Locais


Segundo informação das Memórias do Século, nos inícios do século XX a imprensa floresceu imenso e a influência dos jornais era mais notória. Todo o político que tivesse ambições acabava por fundar ou dirigir um jornal. No distrito de Bragança lançaram-se nessa altura cerca de 80 jornais e, só em Mirandela e Moncorvo, mais de dez, em geral semanários e quase sempre enfeudados a um determinado partido político. O partido progressista («os lazarões») e o partido regenerador («os penicheiros») digladiavam-se  a nível nacional mas também em Mirandela. Houve ataques mútuos sobretudo entre o jornal progressista «Jornal de Mirandela» e o jornal regenerador «O Mirandellense».

Sempre existiu uma intensa actividade jornalística em Mirandela, o que se pode comprovar pelos jornais que descobrimos:

Voz do Tua

Folha Democrática
Nº 1 - 08 de Agosto de 1886
Director: Alves de Moraes
Redactores: José Joaquim de Moraes Sarmento, Manuel José Margarido e José Ignacio Cid
Proprietário: Amadeu Sanches Barreto
Tipografia: Rua do Cabo da Villa e Rua de São Tiago (a partir do nº 34)

Publicava-se às quartas-feiras e aos domingos e a assinatura custava, por ano, 2.250 réis, por semestre, 1200 réis, e, por trimestre, 600 réis.

Manuel José Margarido era advogado. Embora natural de Foz Coa, foi solicitador em Mirandela, onde casou e enviuvou cedo. Era irmão do deputado Ferreira Margarido. Esteve em Angola. 


O Mirandellense

Nº 1 - 15 de Novembro de 1888
Editor redactor e proprietário: Sebastião de Mendonça
Redacção e administração: Rua do Encontro
Afecto ao Partido Regenerador.

Existe, pelo menos, até ao nº 98 e até 26 de Janeiro de 1905. Em 1888, o preço da assinatura anual era de 300 réis e 340 réis, pelo correio.


Os Pontos nos ii

Segundo o Padre Ernesto de Sales, esse jornal, publicado em 1888 pelo Dr. Eugénio de Andrade, era de caricaturas e satírico mas saíram poucos números.


O Tua

O primeiro número foi a 9 de Abril de 1890.


O Inflexível

Segundo o Padre Ernesto de Sales, era um jornal extrapartidário, criado por António da Costa Rocha e Arnaldo Mendo. Começou a publicar-se em 16 ou 17 de Setembro de 1898. Era semanal e foram publicados 26 ou 27 números. Foi extinto devido a um artigo que criticou duramentre a gestão municipal de António de Sousa Ataíde Pavão, sendo escrivão da Câmara João Costa de Caravelas.


Gazeta de Mirandela

Começou a publicar-se em 5 de Outubro de 1901, segundo Martinho da Fonseca nos "Aditamentos" ao Dicionário Bibliográfico, pág. 170.


Jornal de Mirandela

Nº 1 - 21 de Junho de 1902
Proprietário e responsável: José Manoel Ribeiro
Redacção e administração: Rua do Rosário, nº 25
Afecto ao Partido Progressista.
Existiu, pelo menos, até ao nº 111.   


Correio de Mirandela

Semanário político, litterario e noticioso
Nº 1 - 01 de Junho de 1905
Proprietário: Abrahão de Carvalho
Redacção e administração: Rua do Toural e Rua de Santo António
Impressão: Typografia Artistica-commercial


Na Biblioteca Nacional existem as edições até 02 de Fevereiro de 1910 (nº 143) e o nº 173, de 25 de Fevereiro de 1912. A administração e a redacção era na Rua de Santa Luzia. Em 1921, passa a ser semanário republicano e órgão da comissão regionalista de Mirandela. O Director e proprietário era J. Neves. No dia 30 de Janeiro de 1925 (nº 93) passa a ser tri-mensário independente, sendo publicado a 10, 20 e 30 de cada mês e composto na Tipografia Neves. O editor era J. A. Teixeira. A última tiragem data de 29 de Dezembro de 1939. Pelos dados expostos, tudo indica que o jornal teve duas fases distintas. 


Agricultura Transmontana

Existem edições de 1908 e 1909 na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

Começou a publicar-se, de quinze em quinze dias, em 5 de Agosto de 1908, sob a direcção de João Inácio Teixeira de Meneses Pimentel, director da Estação Transmontana de Fomento Agrícola e chefe da Delegação da Direcção da Fiscalização dos Produtos Agrícolas de Mirandela. O proprietário e editor foi José Manuel Ribeiro.

O nº 1 saiu em Agosto de 1908. Era um órgão de propaganda, auxílio e defesa da agricultura regional. Publicava-se nos dias 5 e 20 de cada mês. A administração, composição e impressão era na Rua do Encontro, nº 10.

A assinatura custava 1.200 réis por ano, 660 réis por semestre e 50 réis por número avulso. 


O Familiar

Era um quinzenário. O primeiro número apareceu a 29 de Agosto de 1908. O seu proprietário era o comerciante Albano Mendo Júnior.


Notícias de Mirandela

1ª Fase:
Nº 1 - 1 de Maio de 1909
Semanário imparcial, litterario e noticioso
Director: Francisco de Melo
Proprietário: José Estevam do Rego
Redacção, administração, composição e impressão: Praça Conselheiro Teixeira de Sousa

Na Biblioteca Nacional, existem jornais até 15 de Junho de 1910 e as edições de 1933 e 1934 que não estão disponíveis por se encontrarem em mau estado.

2ª Fase:
N º 1 :  1 de Janeiro de 1957
Semanário noticioso, literário e regionalista
Director/editor: Álvaro Augusto Rego
Proprietária: Maria da Luz Rego
Redacção e administração: Rua de São Mateus, nº 22
Telefone: 132
Composição e impressão: Tipografia Rego 


Aurora do Tua

Na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, estão arquivadas edições de 1909, 1910 e 1911.

João Pedro de Sousa (advogado) era o director e Augusto Fernandes Tender o proprietário. A redacção e administração estava localizada no Largo da Ponte e a composição e impressão eram realizadas pela Typografia Artiastica-Comercial, de José Dionísio Neves, e sita na Rua do Toural.

A assinatura anual custava 1$200, a semestral 600 réis e a trimestral 300 réis.

Era impresso em quatro páginas, formato A 3. 


O Provinciano

O nº 1 saiu a 24 de Janeiro de 1911 e o último a 7 de Julho de 1911. O director, proprietário, administrador e editor foi Francisco Ferreira. Localizavam-se na Rua Alexandre Herculano a redacção e a administração. 

Inicialmente tinha 4 páginas A 4 e depois A 3.


A Liberdade

Foi dirigida pelo Dr. Adriano Fonseca, oficial do registo civil de Mirandela. Na edição de "A Pátria Nova", de 20 de Agosto de 1911, é anunciado o seu aparecimento.


O Libelo

O nº 1 saiu a 17 de Abril de 1915 e o último (nº 6) a 8 de Julho de 1915. Era director e proprietário J. E. Texeira de Morais.  Localizavam-se na Rua de Santa Luzia a impressão e a composição.  Pretendia ser um quinzenário defensor dos interesses da classe dos encarregados telegrafo-postais.

Tinha 4 páginas A 3.


A Justiça

O nº 1 saiu a 2 de Julho de 1918 e o último (nº 8) a 1 de Agosto de 1918. Era um semanário republicano independente. O director e proprietário, administrador era Armindo de Carvalho e o editor Acúrsio de Carvalho.  Localizavam-se na Rua do Tanque a redacção e a administração.

A assinatura anual custava 2$400 e a trimestral 600 réis.

Inicialmente tinha 4 páginas A 4 e depois A 3.


O Fomento Agrícola

Era um órgão de propaganda e defesa da agricultura transmontana. Publicava-se mensalmente e era grátis. O director e editor era José António de Moura Pegado e a propriedade do Posto Agrário de Mirandela. Impresso na Tipografia União, em Mirandela. Não se sabe quando saiu o primeiro número mas o nº 11 corresponde a Outubro de 1917 e ainda se publicava em 1918.


O Povo de Mirandela

Referido por Barroso da Fonte, foi fundado por José Joaquim de Carvalho Salazar. 0 nº 1 saiu a 9 de Junho de 1918. Era um semanário republicano unionista. A redacção e administração eram na Rua da República. O editor era António Augusto Ceriz e era composto e impresso na Tipografia União.

A assinatura custava 2$40 por ano, $60 por trimestre e 3$40 por ano para o Brasil e Colónias. 

Era impresso em quatro páginas A 3.

O último número data de 19 de Junho de 1920.


Mirandela Foot-ball Club/ A Causa

Este jornal foi publicado, pelo menos, em 1922 e 1923, existindo exemplares na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.


Acção Transmontana

Semanário de Mirandela que tinha como directores os doutores Luís Teixeira Neves e João Doutel de Andrade. Saiu o primeiro número a 15 de Janeiro de 1925 e terminou a 10 de Novembro de 1926.

O administrador era Carlos Mendes e os directores o Dr. Luís Teixeira Neves, Arnaldo A. Mendo e E. Doutel d’ Andrade. Gastão de Meneres Pimentel era o proprietário e Manuel Trigo o editor. A redacção e administração localizava-se na Praça 5 de Outubro. Era composto na Tipografia Rego.

Era impresso em quatro páginas A 3.


O Anunciador

É assumido como um jornal literário e recreativo, tendo surgido no dia 5 de Janeiro de 1927, só se conhecendo três números. Tinha apenas uma folha A 3. Na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra existem edições desse ano.

Era um tri-mensário noticioso, literário e recreativo. Por cada 20 números custava 7$50 e 10$00 para o estrangeiro. A distribuição era gratuita para os tribunais judiciais, para a administração dos concelhos, para as repartições de finanças e para as câmaras municipais da Província Transmontana.

O seu director era Álvaro Augusto do Rego, sendo a editora a D. Leopoldina do Rego. A Tipografia Rego era a redactora, a compositora, a impressora e a administradora.


O Imparcial

O seu objectivo era a defesa de interesses, existindo, pelo menos, em 1930. Na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra existem edições desse ano.

O director era Marques da Costa e a redacção e a administração estavam na Rua da República. Os redactores eram David Pires, João Mendo, Manoel Morais e Mário Soares Ferreira.

O primeiro número deu à estampa no dia 15 de Abril de 1930.


Renovação Nacional

Surgiu no dia 30 de Junho de 1937, em pleno Estado Novo. Na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra existem edições desse ano.

A publicação era tri-mensal. O administrador, director e proprietário era José Dionísio Neves. A composição e impressão era na Tipografia Neves, na Rua de Santa Luzia. O editor era Carolino Augusto Teixeira.

O último número (nº 45) saiu a 12 de Junho de 1940. Era impresso em quatro páginas A 3. 


O Lavrador Transmontano

O director e editor era José António de Moura Pegado e impresso na Tipografia União, em Mirandela.


Jornal Além Douro


O número 1 saiu no dia 23 de Outubro de 1969, numa quinta-feira. Era uma publicação regionalista, composto e impresso na Tipografia Gutemberg, em Chaves. O Director era Rómulo Raúl Ribeiro, o Editor era J. Ferreira Pires e pertencia à Cooperativa de Imprensa Além Douro.

O último número (Ano VI, n º 221) existente na Biblioteca Nacional data de 10 de Maio de 1975 (sábado). Continua a ser propriedade da Cooperativa de Imprensa Além Douro e tinha como Director Interino António Correia de Barros. A redacção e administração localizavam-se na Rua da República nº 99 e tinha o número de telefone 22.379. Era composto e impresso na Tipografia Além Douro, em Mirandela. Este último número traz na primeira página artigos de António Augusto Valpaços e Barroso da Fonte.

O Padre Ernesto de Sales refere que, com excepção do Voz do Tua, do Inflexível, do Fomento Agrícola e do Notícias, que não estavam afectos a qualquer dos dois partidos dominantes na altura em Mirandela, os jornais eram folhas políticas e para fins políticos, e sem colaboração que valesse a pena ver-se. Todos eles se publicavam semanalmente e tiveram uma vida efémera, o que não admira, escreve o Padre Ernesto de Sales, num meio de analfabetos e maldizentes (!).



Fonte: Mirandela - Apontamentos Históricos» de Padre Ernesto de Sales       


Actualmente são publicados em Mirandela os seguintes jornais:



Notícias de Mirandela



Director
: Jerónimo Manuel Pinto

Directores Adjuntos: Arnaldo Manuel Pinto e Manuel Martinho de Carvalho

Sede: Rua Alexandre Herculano, 9-11    5370-299 MIRANDELA

Periodicidade: quinzenal

Ano 46 (2006)











Terra Quente



Directora
: Marisa Raquel Alves

Sede: Avenida dos Bombeiros Voluntários, 47 Sobreloja 2 Apartado 39   5370 MIRANDELA

Periodicidade: quinzenal

Ano XIV-Nº 351 (01 de Maio de 2006)















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