Sexta, 30 de Julho de 2010


A Etnografia e a Antropologia


Segundo a Wikipédia, a Etnografia (do grego έθνος, ethno - nação, povo e γράφειν, graphein - escrever) é por excelência o método utilizado pela antropologia na colecta de dados. Baseia-se no contanto inter-subjetivo entre o antropólogo e seu objecto, seja ele uma tribo indígena ou qualquer outro grupo social sob qual o recorte analítico seja feito.

Bronislaw Malinowski, em seu clássico estudo Os Argonautas do Pacífico Ocidental (publicado em 1922), marcou a história da antropologia moderna ao propor uma nova forma de etnografia, envolvendo detalhada e atenta observação participante. Sob sua trilha vieram outras etnografias clássicas, como Naven de Gregory Bateson, Nós, os Tikopia de Raymond Fyrth.

Principalmente a partir da antropologia interpretativa ou pós-moderna, autores como James Clifford, Clifford Geertz e George Marcus passaram a discutir o papel político, literário e ideológico da antropologia e de sua escrita, em esforços verdadeiramente metalingüísticos e intertextuais.

Exemplos famosos de Etnografias contemporâneas são Xamanismo, Colonialismo e o Homem Selvagem de Michael Taussig, O negócio do Michê: A prostituição viril em São Paulo de Néstor Perlongher, e Os Araweté: Os Deuses Canibais de Eduardo Viveiros de Castro.

Hoebel e Frost (1981:3) definem a antropologia como «a ciência da humanidade e da cultura». Como tal, é uma ciência superior social e comportamental, e mais, na sua relação com as artes e no empenho do antropólogo de sentir e comunicar o modo de viver total de povos específicos, é também uma «disciplina humanística».

A Antropologia tem uma dimensão biológica, enquanto antropologia física; uma dimensão sociocultural, enquanto antropologia social e/ou antropologia cultural; e uma dimensão filosófica, enquanto antropologia filosófica, ou seja, quando se empenha em responder à questão: o que é o homem?

Apesar da diversidade dos seus campos de interesse, constitui-se em ciência polarizada, que necessita da colaboração de outras áreas do saber, mas conserva sua unidade, uma vez que seu enfoque é o homem e a cultura.

Pode-se afirmar que há poucas décadas a antropologia conquistou seu lugar entre as ciências. Primeiramente, foi considerada como a história natural e física do homem e do seu processo evolutivo, no espaço e no tempo. Se por um lado essa concepção vinha satisfazer o significado literal da palavra, por outro restringia o seu campo de estudo às características do homem físico. Essa postura marcou e limitou os estudos antropológicos por largo tempo, privilegiando a antropometria, ciência que trata das mensurações do homem fóssil e do homem vivo.

A Antropologia visa o conhecimento completo do homem, o que torna suas expectativas muito mais abrangentes. Dessa forma, uma conceitualização mais ampla a define como a ciência que estuda o homem, suas produções e seu comportamento. O seu interesse está no homem como um todo - o ser biológico e o ser cultural -, preocupando-se em revelar os fatos da natureza e da cultura. Tenta compreender a existência humana em todos os seus aspectos, no espaço e no tempo, partindo do princípio da estrutura biopsíquica. Busca, também, a compreensão das manifestações culturais, do comportamento e da vida social.

A Antropologia, como ciência do biológico e do cultural, tem seu objecto de estudo definido: o homem e suas obras.

A Antropologia, como ciência do biológico e do cultural, tem seu objecto de estudo definido: o homem e suas obras. Hoebel e Frost afirmam que a "antropologia fixa como objectivo o estudo da humanidade como um todo..." e nenhuma outra ciência pesquisa sistematicamente todas as manifestações do ser humano e da actividade humana de maneira tão unificada. É um objecto extremamente amplo, visando o homem como expressão global - biopsicultural -, isto é, o homem como ser biológico pensante, produtor de culturas, participante da sociedade, tentando chegar, assim, à compreensão da existência humana.

O objectivo desta sub-pasta da Cultura não é o de apresentar trabalhos acabados e completos  mas apenas o de conhecer e compreender o concelho de Mirandela do ponto de vista etnográfico e antropológico. Cremos que falta uma grande obra sobre o concelho de Mirandela relativamente a essas temáticas, podendo esta sub-pasta aguçar o apetite de especialistas na área. São apenas subsídios ou pequenos contributos que se têm bastado com pesquisas na Internet e na consulta a  referências bibliográficas várias, sobretudo de autores da região, que são depois ordenadas, sistematizadas e apresentadas com alguma coerência.

Está a Câmara Municipal de Mirandela receptiva a receber e publicar trabalhos e artigos nesse âmbito.







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