Domingo, 23 de Novembro de 2014

Linguagem Popular

A linguagem coloquial, informal ou popular é aquela linguagem que não é formal, ou seja, não segue padrões rígidos, é a linguagem popular, falada no quotidiano.

O nível popular está associado à simplicidade da utilização linguística em termos lexicais, fonéticos, sintácticos e semânticos. Esta decorrerá da espontaneidade própria do discurso oral e da natural economia linguística. É utilizado em contextos informais. Tomem-se a título exemplificativo os excertos que se seguem: «Minha santa filha do meu bô coração/ Cá arrecebi a tua pera mim muito estimada carta e nela fiquei ciante e sastifeita por saber que andavas rija e fera na cumpanhia do teu marido.» (Aquilino Ribeiro, O Homem na Nave); «- Ó Tio Luís, ó Tio Luís!.../ - Que é? / - Vossemecê não vê? (...)/ - Ouviste por 'i berrar uma cabra?» (Camilo Castelo Branco, Maria Moisés, pp. 44-45).

A língua portuguesa possui uma relevante variedade de dialectos, muitos deles com uma acentuada diferença lexical em relação ao português padrão. Tais diferenças, entretanto, não prejudicam muito a inteligibilidade entre os locutores de diferentes dialectos.

O português europeu padrão (também conhecido como "estremenho") modificou-se mais que as outras variedades. Mesmo assim, todos os aspectos e sons de todos os dialectos de Portugal podem ser encontrados nalgum dialecto no Brasil. O português africano, em especial o português santomense tem muitas semelhanças com o português do Brasil (também conhecido como "fluminense"), também os dialectos do sul de Portugal apresentam muitas semelhanças, especialmente o uso intensivo do gerúndio. Na Europa, o alto-minhoto e o transmontano são muito semelhantes ao galego.

Mesmo com a independência das antigas colónias africanas, o português padrão de Portugal é o padrão preferido pelos países africanos de língua portuguesa. Logo, o português apenas tem dois dialectos de aprendizagem, o europeu e o brasileiro. Note que, na língua portuguesa há dois dialectos preferidos em Portugal: o de Coimbra e o de Lisboa. No Brasil, o dialecto preferido é o falado e muito mais escrito pelos habitantes cultos das grandes cidades.

Maiores dialectos da língua portuguesa:





  1. Açoriano - Açores
  2. Alentejano - Alentejo
  3. Algarvio - (há um pequeno dialecto na parte ocidental)
  4. Alto-Minhoto - Norte de Braga (interior)
  5. Baixo-Beirão; Alto-Alentejano - Centro de Portugal (interior)
  6. Beirão - centro de Portugal
  7. Estremenho - Regiões de Coimbra e Lisboa (pode ser subdividido em lisboeta e coimbrão)
  8. Madeirense - Madeira
  9. Nortenho - Regiões de Braga e Porto
  10. Transmontano - Trás-os-Montes




Calão é o nome que se dá à linguagem ou código linguístico usado por alguns grupos específicos.

Uma palavra de baixo calão, popularmente conhecida como palavrão, é um vocábulo que pertence à categoria de gíria e, dentro desta, apresenta cunho chulo, ofensivo, rude, obsceno, agressivo ou imoral sob o ponto-de-vista de algumas religiões ou estilos de vida. Palavras de baixo calão, ou seja, palavrões, são formas inadequadas na norma culta da língua portuguesa e geralmente usados de forma popular e coloquial, exceto por licença poética.

A gíria (que também pode ser referida como calão em Portugal) é um fenómeno de linguagem especial usada por certos grupos sociais pertencentes a uma classe ou a uma profissão em que se usa uma palavra não convencional para designar outras palavras formais da língua com intuito de fazer segredo, humor ou distinguir o grupo dos demais criando um jargão próprio.


Gírias de Portugal:

  • Chaveco ou chaço - Automóvel velho e/ou fraco, máquina velha ou obsoleta
  • Bilhardeira/o (Madeira) - Pessoa conversadora, fofoqueira, mexiriqueira
  • Queque - Pessoa habituada a viver bem sem nunca ter trabalhado para tal
  • Snifar - Inalar cocaína
  • Snife - Preparado de cocaína para inalar
  • Setôr/setôra - Abreviatura usada nos alunos do secundário para "Senhor Doutor"/"Senhora Doutora"
  • Chui ou bófia – Polícia
  • Chular - Pedir quase estorquindo, tomar conta de prostitutas, prostituir-se (masculino)
  • Estar com os azeites - Estar aborrecido / chateado com algo
  • Estar de trombas - Estar aborrecido / chateado com algo. Má cara
  • Acordar com os pés de fora - Estar mal disposta(o) logo pela manhã
  • Abrir o coração - Desabafar; declarar-se sinceramente
  • Abrir o jogo - Denunciar; revelar detalhes
  • Abrir os olhos a alguém - Convencer, alertar
  • À sombra da bananeira – Despreocupado
  • Agarrar com unhas e dentes - Não desistir de algo ou alguém facilmente
  • Água pela barba - Situação desesperante
  • Aproveito a boleia - Vou contigo, já que vais, eu também vou
  • Baixar a bola - Acalmar-se; ser mais comedido
  • Borracho - Rapariga/rapaz bonita/o
  • Cabeça de alho chocho - distraído, esquecido
  • Calinada - Pontapé na gramática, gafe, forma jocosa de se referir a erro ortográfico
  • Cara de caso - estar preocupado
  • Cortar as vazas - Impedir algo ou alguém
  • Vá chatear o Camões - Ir chatear outra pessoa
  • Chorar sobre o leite derramado - Lamentar-se por algo que não tem solução/volta ou fato passado
  • Dar troco - Dar conversa
  • Dar a volta ao bilhar grande - Ir chatear outra pessoa
  • De pé atrás - Desconfiado, cabreiro
  • Descalçar a bota - Resolver um problema
  • Estar com os azeites - Estar aborrecido / chateado com algo
  • Estar de trombas - Estar aborrecido / chateado com algo. Má cara
  • Estar-se nas tintas - não querer saber, ser indiferente, ignorar deliberadamente
  • Encostar a roupa ao pêlo - Bater em alguém
  • É muito fixe - É muito bom
  • Fazer vista grossa - Fingir que não viu; relevar; negligenciar
  • Gritar a plenos pulmões - Gritar com toda a força
  • Ir aos arames - Enervar-se, irritar-se
  • Pés para a cova - Estar para morrer
  • Pôr a cabeça em água - cansar, extinguir a paciência
  • Pôr-se a pau - Estar atento
  • Que giro - Que bonito, engraçado
  • Riscar do mapa - Fazer desaparecer
  • Sem pés nem cabeça - Sem lógica; sem sentido
  • Segurar a vela - Estar sozinho/a com um casal
  • Ter macacos (ou macaquinhos) no sótão - Ter ilusões, achar que algo muito improvável de acontecer é bastante possível
  • Trepar paredes - Estar desesperado
  • Trocar alhos por bogalhos - Confundir factos e/ou histórias
  • Troca-tintas - Mudar de ideias facilmente; traidor
  • Tempestade em copo d'água - Transformar banalidade em tragédia
  • Ter lata - Ser descarado
  • Voltar à vaca fria - Voltar ao assunto com que se iniciou uma conversa


O Abade de Baçal nas suas «Memórias Arqueológico- Históricas do Distrito de Bragança», que tão útil tem sido para a página da Câmara Municipal de Mirandela, sobretudo na pasta da Etnografia, refere que os provincianismos, ou mellhor, bragançanismos, embora correntes em terras de Bragança, foram colhidos sobretudo em Baçal mas também noutras localidades.

Existem muitos bragançanismos no Dicionário Complementar da Língua Portuguesa, 2ª edição, de Augusto Moreno.

Entre os escritores bragançanos que empregam ou mencionam termos regionais existem, entre outros, os seguintes:

- João de Araújo Correia (médico) – Linguagem médica popular usada no Alto Douro, 1936;

- Padre Firmino Augusto Martins – Folclore do concelho de Vinhais, 1928;

- Manuel A. Ribeiro – Por entre fraguedos (romance), 1941;

- José Augusto Tavares – Portugália, tomo II, fascículo IV.

Muitos dos provincianismos que vamos agora referir também se utilizam em Mirandela. São eles, entre variadíssimos, os seguintes:

Abocar – apanhar; levar

Alacraio – escorpião

Amouchar – agachar; esconder

Bestigo – cobra grande

Cachola – cabeça

Chanato – sapato velho

Dexoba – espancar; insultar por palavras

Embeleque – estorvo; enpecilho

Esmichar – esmagar; rachar

Falmegas – faúlhas

Fraita – flauta

Gomitar – vomitar

Hilária – espécie de gato preto

Interpicar – tropeçar

Larapaço – lama em grande quantidade

Malga – prato

Marra – bloco de pedra

Mouricego –morcego

Nacho – nariz acachapado

Naco – pedaço; bocado

Pantoja – pasmado

Parreco – pato

Patachim – pássaro

Pita –galinha

Prosmeiro – vaidoso

Rebaldaria – confusão; desordem barulhenta

Sanchas – cogumelos que nascem nas matas, principalmente nos pinheirais

Seluço – soluço

Tapa-olhos – bofetada

Torgueiro – grosseiro de modos

Zubrada – zervada; bátega de água










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