Sexta, 30 de Julho de 2010

Cataventos


De construção muito simples, o catavento é composto por uma lâmina que gira em torno de um eixo pela acção do vento. Vem desde os tempos dos gregos e além de indicador da direcção do vento serve ao mesmo tempo de ornamento.

Durante a Idade Média começa a ter grande difusão e aparece usualmente como remate das torres das igrejas. Começou por ser um sinal de nobreza e só as casas nobres, eclesiásticas e militares tinham o direito de o possuir.

Foi publicado um trabalho na Revista Portugália, tomo II, fasc. 3º, no Porto, em 16 de Julho de 1907) sobre os cataventos, que ora aproveitamos.

A meteorologia popular, presume-se pelo vento que soprar à meia noite no dia da Senhora das Candeias (2 de Fevereiro), o vento dominante durante o resto do ano. Avalia-se pelo vento do Dia de São Miguel (29 de Setembro), o estado do Inverno que se aproxima, assim como se infere da direcção observada à uma hora da tarde do Dia da Senhora da Ascensão qual o vento estival de predomínio.

A «maré pica de cima» ou «a maré pica de baixo» são as fórmulas com que ordinariamente se distinguem os ventos norte e sul que anunciam bom ou mau vento.

Os cataventos também são conhecidos por grimpas. Frequentemente é uma bandeirola movendo-se em torno de um eixo vertical que indica a direcção do vento e certos estados atmosféricos. Rara é a torre que não remata em veleta. De dia e sem névoa, a freguesia tem na sede o instrumento que logo o elucida, mais ou menos grosseiramente, sobre o tempo provável.

Em termos ornamentais, e sobretudo a partir dos séculos XV e XVI, os motivos são os mais variados: anjos, setas, temas mitológicos, barcos, insígnias eclesiásticas, animais, etc. Umas vezes a decoração exclui a ventoinha e apenas consiste em combinações de folhas e flores, aves, fauna, figuras humanas e cúpidos, de loiça, ferro, chumbo ou zinco.

Normalmente a flecha é simples, associada a folhagens, à cruz e à esfera armilar. Por vezes, combina-se a bandeirola com a flecha.

Nesse trabalho, são ainda indicados os seguintes motivos ou figuras:

  • Cravos e coroa de espinhos;
  • Aves geminadas;
  • Peixes;
  • Leões;
  • Dragos da fauna mítica;
  • Iconografia dos anjos e religião (mitra, báculo, cálice, sol, arco e seta, espada;
  • Temas não convencionais (um homem sobre um sol e que consulta os astros, 
         o homem que maneja uma alfange, o miliciano que aponta uma espingarda, 
         o cavaleiro que galopa ou o cavaleiro que luta, etc);
  • Flâmulas e bandeiras dos coruchos ou cúpulas das moreiras, associadas
         frequentemente a cruzes floreadas, a estrelas, a arcos de festa, ao púcaro invertido
         que coroa as medas, etc;
  • Moinhos de vento, com panos e varais;
  • Bonecos de madeira que se colocam nas hortas, nos jardins e nos campos.

    São também conhecidos os corrupios e gregórios que fazem as delícias das crianças e que se movimentam com a força do vento.

    Os temas náuticos, como barcos, peixes, sereias e outros, são muito vulgares nas cidades ou vilas portuárias.




  • Um dos motivos usuais era o arcanjo S. Miguel ao qual se atribuía a protecção ao raio. No entanto o galo aparece com mais frequência e ainda nos dias de hoje. Recordava ao clero a vigilância e lembrava ainda o arrependimento de S. Pedro. Além disso desde sempre que o galo era considerado profeta do tempo e o seu canto afugentaria os maus espíritos e todas as calamidades.

    Mais recentemente, além das torres das igrejas, podemos ver cataventos em moinhos, faróis e outros tipos de construções. Além da lâmina alguns têm também indicação dos quatro pontos cardeais.

    Nos navios o catavento não terá este aparato todo e o aspecto decorativo foi posto um pouco de parte. O objectivo é saber a direcção do vento, nestes casos a direcção aparente, de modo a manobrar melhor as velas. Diversos tipos são usados ainda hoje. Desde uma bandeira de chapa ou outro material a tope do mastro grande até a fitas de tecidos leves nos brandais ou bandeiras nas bordas são o auxiliar suficiente para detectar as mudanças de vento. Por vezes algumas girouettes têm indicado o limite de ângulo de orça.



    Bandeira catavento e girouette com indicação do limite de orça

    A electrónica também já invadiu a tradição e a qualquer momento é possível ler a direcção do vento, aparente ou mesmo real, com uma precisão de grau. Mesmo assim o antigo encanto de olhar a tope ou para as flâmulas içadas não se perdeu e ainda podemos ver os olhares a lerem o vento pelas fitas dos brandais ou pelo drapejar das bandeiras.



    Catavento Electrónico (mostrador e girouette)

    Na náutica existem algumas expressões associadas a este instrumento, e catavento pode também querer dizer o lugar onde se coloca o oficial que comanda a manobra. Se a ausência de vento for completa, ou quase, também se diz que o catavento está morto! Mas pelo menos este ressuscita com qualquer brisa.




    A Energia Eólica é a energia que provém do vento. O termo eólico vem do latim Aeolicus, pertencente ou relativo a Éolo, deus dos ventos na mitologia grega e, portanto, pertencente ou relativo ao vento.

    O Deus do vento, filho de Netuno e que habitava a ilha de Eólia, numa caverna onde guardava os ventos. Éolo costumava perseguir as nuvens, levando-as para sua caverna, na intenção de que esse seu ato resultaria em bom tempo.

    O Adagiário ligado ao vento

    Aeolicus, pertencente ou relativo a Éolo, deus dos ventos na mitologia grega e, portanto, pertencente ou relativo ao vento.

    O Deus do vento, filho de Netuno e que habitava a ilha de Eólia, numa caverna onde guardava os ventos. Éolo costumava perseguir as nuvens, levando-as para sua caverna, na intenção de que esse seu ato resultaria em bom tempo.

    O Adagiário ligado ao vento














    • De Espanha nem bom vento nem bom casamento.
    • Quem semeia ventos colhe tempestades.
    • Palavras, leva-as o vento.
    • Enquanto há vento molha-se a vela.
    • Água e vento são meio sustento.
    • Vento de Ramos, vento do ano.
    • Com vento se limpa o trigo e os vícios com castigo.
    • A ignorância e o vento são do maior atrevimento.
    • Miragem que espante, vento de Levante.
    • Mulher, vento e ventura, são de pouca dura.
    • O que o vento traz, o vento leva.
    • Vai-se o vento com o tempo.
    • Vento baixo e beiras a correr é sinal de chover.
    • Vento suão, água na mão.
    • Se tens vento e depois água, deixa andar que não faz mágoa.
    • De caldo requentado e de vento de buraco, guarda-te deles como do Diabo.
    • Ande o vento por onde andar nos Passos está em Ovar.
    • Quando há vento é que se iça a vela.
    • Vento contra a corrente, levanta mar imediatamente.
    • Vaga ao revés encrespada vai dar-te o vento saltada.
    • Quem foi ao vento, perdeu o assento.
    • Com vento de nordeste até o marinheiro enjoa.
    • Lugar ventoso, lugar sem repouso.
    • O vento ajusta a palha e depois espalha.
    • Dia de Março dia de três ventos.
    • Sol especado, vento dobrado.
    • Mulher de vento, reluz com o espelho.
    • Amigo do bom tempo muda-se com o vento.
    • Vento Sul, água no paul.
    • Vento Norte, três dias forte.
    • Não há nenhuma árvore que o vento não tenha sacudido.
    • O vento é obra do diabo.
    • O vento ensina às pegas: beijo as mãos e Vossa Mercê.
    • O vento faz girar o catavento, mas a torre não.
    • O vento move o moinho; ao moleiro, o vinho.
    • O vento nada pode roubar das pedras.
    • O vento não muda a barca, as velas é que mudam.
    • O vento sopra do sul, depois sopra do norte; num vaivém constante, retoma os seus caminhos.
    • O vento suão cria palha e grão (pão).
    • O vento sul também arranca frieiras.
    • O vento em jejum não ouve a nenhum.
    • Vento de leste não dá nada que preste.
    • Vento de leste, não há nada que não creste.
    • Vento de Março, chuva de Abril, fazem o Maio floris.
    • Vento de Março queima a dama no paço.
    • Vento de Mira ataca e tira.
    • Vento de poente, solta os bois e vem-te.
    • Vento de suão molha no Inverno e seca no Verão.
    • Vento e ventura não dura.
    • Vento forte e mulher feia só quebra no galho.
    • Vento na popa é meio porto.
    • Vento Norte ao meio-dia, sul no outro dia.
    • Vento Norte bravo, chuva ou calma no cabo.
    • Vento Norte rijão, chuva na mão.
    • Vento suão farta o chão.
    • Vento sudoeste mensinho, teme dele em teu caminho.
    • Vento sul friinho, água no focinho.
    • Vento travessia pelo Norte pia.
    • Vento vendaval, amarra o barco e vai-te abrigar.
    • Ventos contra a corrente levantam mar imediatamente.
    • Enquanto há vento é que se limpa.
    • Não há ventos favoráveis para quem não sabe para onde ir.
    • Quando há vento é que se aventeja.
    • Quando há vento, não há bom tempo.



    Agenda Cultural do Mês de Julho


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